Saudade
- Joana Angelo
- 7 de jun. de 2020
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Houve um tempo que a saudade estava presente. Ao mesmo tempo ausente, consumindo e esgotando as forças. De tal forma que nos esvaziamos até não aguentar.
Aquela vil saudade que omitimos enquanto podemos, sussurramos seu nome ao ouvido dos que ainda podem ouvir.
Gritamos bem alto no silêncio dos que nos ouvem, aqueles poucos que sobraram das nossas lembranças e andanças.
Viva, ainda está aqui. Bem viva. Atropelando, embrenhado-se por entre as lembranças recentes e antigas.
Sou eu, você, nós. Não adianta soltar a voz porque o silêncio que ela provoca quase ensurdece e contradiz tudo que aprendeu até aqui.
Engatinhando vamos, até aprender a sobriedade de saber conviver. Eterna e doce - nem tanto- saudade.
Vi você bem na minha frente. Você mesma, aquela saudade que maltrata, feri e devasta. Aquela vil saudade, nefasta.




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